sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Centenário da criação do Distrito de Nova Belluno, hoje Siderópolis, em 23 de agosto de 1913

Por Ronaldo David
Para protagonizar o chamado da sociabilidade e realizar-se humana e estruturalmente, o homem imigrante, no sul catarinense, empreendeu rituais e cenários para sua entronização entre florestas, fez-se ator e espectador, numa multiforme objetivação das circunstâncias de espaço e de tempo em que lhe fosse dado viver. E o homem dos campos da Seção da Estrada para Urussanga, da Seção Jordão, da Seção Rio Fiorita, do São Defende, todos do Núcleo Belluno da Colônia Nova Veneza, naquele início de segunda década do século XX, respeitava o passado na Itália, preservava a tradição, mas queria personalizar o presente para os seus, para os que lutavam consigo para o aprazado grande momento, discutido nas casas e na capela de São João Batista, tornada então uma bela Igreja.
O homem da colônia, por representantes, já havia feito uma solicitação formal ao Conselho Municipal de Urussanga para sua transformação em Distrito, e a ratificação do nome do Núcleo como seu epíteto. Homens como Antonio Remor, de Jordão, o braço-direito do Reino da Itália como agente consular, sempre em trânsito por todas aquelas paragens, escutara os anseios dos seus amigos, tornando-se o verdadeiro artífice do pedido de criação do Distrito de Nova Belluno. Ele era também Conselheiro do município de Urussanga, e seria protagonista do evento cívico e histórico de 23 de agosto de 1913.
Com Remor, seguiram, a cavalo ou de carroça, a pé, como alguns de São Defende e São Geraldo, até a sede do município, para assistirem a uma sessão histórica, companheiros de luta diária no campo e na lavoura como Giovanni Pescador, Emilio Adam(e)ante, Giovanni De Bona Porton,  Archangelo Pattel, Serafino Mezzari, Giuseppe Frasseto,  Angelo Scaldi, Angelo Dal Farra, Jeronymo Feltrin, Giuseppe De Mattia, Hildebrando Pessi (que depois assumiria como Juiz de Paz), Jordão Costa (do Costão), Giuseppe Cesa, Angelo Albonico, João Carminati, Celeste Canapini, Antonio Daleffe, Carlos Fabro, Agustinho Cividini, Stefano Nesi, Francisco Maestrelli, Augusto Savaris, Giuseppe Quarti, Cesare Manenti, José Coppietti, Arcangelo Feltrin, Luiz Tomazi, Angelo Bianchini, Silvestro Cecconi (que seria o primeiro cartorário em Nova Belluno, em 1º de fevereiro de 1917), Luiz Piovesan, Pedro De Col (que seria o segundo cartorário de Nova Velluno, em 1926), Deffendi Damian, Domingo Brunatto, Antonio Ferraro, José Luzietti, Lourenço Biz, Flavio Donadel, Antonio Vendrame, Pedro Coppetti, Domingos Niot, Angelo Pasquali, João Trento, Clemente Trento, Luigi Possamai, Pedro Falcheti, Luiz Baldesar, José Talamini, Andrea Tezza, Giacintho Salvador e outros que a história deixou de citar, mas que sabem o que se passou naquela entrada de noite de inverno calmo.
Naquele 23 de agosto de 1913, uma segunda-feira, às 18 horas, na sexta sessão extraordinária do Conselho Municipal de Urussanga, na sede da administração municipal, no centro, foi criado  o Distrito de Nova Belluno, com a aprovação unânime  da Lei nº 60, pelos conselheiros Sebastião Bez Fontana, Jacomo De Brida (sucederia a Lucca Bez Batti, como Superintendente, em 21 de setembro de 1914), Antonio Remor (um dos grandes responsáveis pela conquista, e de Jordão – construtor das casas de pedra daquela localidade) e Stefano Giordani, e com a anuência dos outros conselheiros titulares e suplentes, como Jacintho De Brida, Attilio Cassol Bainha, Giuseppe Búrigo, José Peruchi, Antonio Baricchelo (de Nova Treviso) e Domingos Fontanella (de Nova Belluno). Em seguida, a lei foi sancionada por Lucca Bez Batti, prefeito (superintendente) de Urussanga.
Na saída da sessão, aconteceu um foguetório sem precedentes, realizado pelos bellunenses, que foi contado com orgulho por duas gerações.
Nova Belluno tornava-se distrito, mas sua história ainda teria momentos não tão gloriosos, mas lamentáveis, como a  supressão e substituição de seu nome por Siderópolis, ainda como distrito, em 31 de dezembro de 1943, em ato do então intendente do governo ditatorial no Estado, Nereu Ramos, pelo decreto-lei estadual nº 941. Nova Belluno deixava de ser um nome oficial, e tornava-se, até o presente, um estado de espírito, e de raiz de um povo para tornar-se um ente cultural e histórico para os descendentes daqueles lutadores de um século atrás.

Parabéns, SIDERÓPOLIS, pelo Centenário do Distrito de Nova Belluno!

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