domingo, 22 de setembro de 2013

Um pouco da história do sideropolitano Artur Kestering

Artur Kestering
Arquivo da família Artur Kestering – Siderópolis – SC.

Artur Kestering, filho de Henrique Kestering e Romana Lazzaris Kestering, nasceu em 28 de julho de 1931 na cidade de Criciúma - SC. Casou-se no dia 20 de abril de 1952 com Mafalda Trento, e desta união nasceram nove filhos: Maria Jucélia, Rogério Henrique, Maria Jucira, Robson Artur, Rodnei Ernani, Roberto, Rodolfo Luiz, Gladys Lenuzia e Ghisela.[1]
Kestering, com 28 anos de idade, ingressou na vida política em 30 de agosto de 1959, na primeira eleição realizada em Siderópolis - SC, como candidato a vereador pela União Democrática Nacional (UDN), obtendo 136 votos, sendo o sexto candidato mais votado pela sigla udenista, ficando com a terceira suplência do partido.[2] Inconformado com a derrota e com sua agremiação partidária, Artur não concorreu nas duas eleições municipais seguintes.    
Nas eleições de 7 de outubro de 1962, para a Câmara dos Deputados, houve uma discordância entre os dirigentes da UDN local, notadamente no ambiente da Carbonífera Treviso S.A, o que possibilitou a Kestering prestar apoio ao candidato Álvaro Catão, seguindo orientações de Oberon da Fonseca Estrazulas e do Engenheiro Sebastião Toledo dos Santos,[3] em detrimento do candidato Diomício Freitas, que era apoiado pelo líder político udenista em Siderópolis, Hugo Stopazzolli, selando desta forma sua saída do partido.[4]
O retorno vitorioso do político Artur aconteceu na eleição municipal realizada em 15 de novembro de 1972, agora como filiado do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), obtendo a segunda melhor votação para vereador dentre todos os candidatos do partido - 391 sufrágios[5]- com o apoio fundamental dos mineiros da Carbonífera Treviso S.A.[6] Seu partido, o MDB, sofreu um grande revés nesta eleição, uma vez que a Aliança Renovadora Nacional (Arena) elegeu cinco dos sete vereadores para o legislativo sideropolitano. Na mesma eleição, a vitória de Plínio Bonassa - Arena II – para prefeito de Siderópolis, derrotando o candidato da Arena I, Hugo Stopazzolli, até então o grande líder político da cidade, teve o apoio significativo do MDB local, o que possibilitou uma participação importante dos vereadores do MDB na direção da casa legislativa. A posse de Artur Kestering, juntamente com seus pares Carlos Antonio Remor (Arena II), Dilnei Rossa (Arena I), Ivori Valmor De Lorenzi (Arena I), Mário Piacentini (Arena II), Olávio Leopoldo Rovaris (Arena II) e Oli Manoel Rodrigues (MDB), aconteceu no dia 31 de janeiro de 1973, e ato contínuo, através de eleição entre os nobres edis, por unanimidade, foi constituída a mesa diretora da seguinte forma: Presidente Olávio Leopoldo Rovaris, Vice-presidente Artur Kestering, Secretário Oli Manoel Rodrigues e Vice-secretário Mario Piacentini.[7]
O Diretório Municipal da Arena de Siderópolis – diga-se Arena I -, em 5 de dezembro de 1972, numa ação judicial junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TER - SC), requereu a extinção do mandato de Artur Kestering por filiação fora do prazo junto ao MDB, bem como a sua não diplomação, o que foi negado por unanimidades de votos pelos juízes do TRE – SC, em 20 de fevereiro de 1973.[8]
Na eleição municipal de 15 de novembro de 1976, Artur conseguiu reeleger-se vereador, obtendo 231 votos. Artur Kestering, José Geraldo Cardoso de Bitencourt, Alcides Zanelatto e Estevão Emílio de Souza foram os vereadores eleitos pelo MDB para comporem na 5ª legislatura da Câmara Municipal de Siderópolis. A oposição em Siderópolis começava a tomar corpo, perdendo a maioria no legislativo por somente uma cadeira.
Kestering foi candidato à prefeito pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro, PMDB 1, tendo na chapa Angelo Scaini na condição de candidato a vice-prefeito, nas eleições de 15 de novembro de 1982. Com 740 sufrágios obtidos na apuração foi o último dos quatro candidatos postulantes ao cargo executivo. Neste pleito eleitoral, Dilnei Rossa - candidato do Partido Democrático Social – PDS I - foi o sexto prefeito eleito pelo voto popular para comandar o município de Siderópolis, juntamente com o seu vice-prefeito Sílvio Levatti. Somente na eleição de 15 de novembro de 1988, o PMDB conseguiu eleger José Antônio Périco para prefeito de Siderópolis, uma vitória da oposição esperada desde 3 de junho de 1964, quando  o primeiro prefeito eleito pelo voto popular Manoel Minelvina Garcia - Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – no início da ditadura militar, foi obrigado a renunciar o mandato.[9]
Artur, nos seus 52 anos de vida, teve uma participação social muito ativa principalmente quando exerceu os mandatos de vereador. Foi um grande defensor do ensino público gratuito e incansável colaborador do Colégio Santa Bárbara, educandário idealizado em 1964 pelo grande homem público Renato Mellilo. Era uma escola voltada para educação de alunos carentes e trabalhadores, com aulas no período noturno.[10] Foi fundador e membro ativo integrante do Lions Clube de Siderópolis e presidente do Grêmio Esportivo Treviso[11], equipe futebolística grande rival do Itaúna Atlético Clube.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           
                        Portador da Carteira de Trabalho do Menor nº 3969 Série 1ª – 16ª D. R. T, tem seu primeiro emprego na Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, em 31 de dezembro de 1946, com 15 anos de idade, na função de Operário na Secção Céu Aberto, com salário inicial de Cr$ 2,40 por hora. Trabalhou na CSN até 21 de agosto de 1953.[12] Kestering em 1953 participou da construção do Palácio Iguaçu, sede atual do governo paranaense em Curitiba, onde trabalhou como carpinteiro[13]. Posteriormente, em 1º de abril de 1955, ingressou na Carbonífera Treviso S.A até 30 de setembro de 1978, exercendo a profissão de operador de máquina, percebendo inicialmente a quantia de Cr$ 8,00 por hora,[14] e onde se aposentou.
                      Mário Piacentini, vereador pela Arena representando o distrito de Treviso, eleito em 15/11/1972, lembra muito bem da seriedade e capacidade de Artur Kestering durante a quarta legislatura da Câmara de Vereadores de Siderópolis. Afirma Mário que, independente de partido político, existia uma grande amizade entre as famílias Piacentini e a família de Mafalda Trento – esposa de Artur - na localidade de Santa Cruz. Rememora também o período muito difícil para todos os moradores do município depois da grande enchente de 1974, quando a Câmara de Vereadores se mostrou parceira com o povo diante de todas as necessidades urgentes que exigiam no momento e após a catástrofe. “Posso dizer que Artur foi um político capaz, numa época que não era necessário comprar uma eleição e vereador não tinha remuneração nenhuma”.[15]
                      José Geraldo Cardoso de Bitencourt, vereador eleito pelo MDB em 15 de novembro de 1976, lembra muito bem da atuação do nobre edil Artur Kestering: “ele estava ciente das funções de um vereador, que era de legislar e fiscalizar o poder executivo, o que fazia muito bem em plenário, sempre solicitando apartes e cobrando esclarecimentos de forma objetiva de todas as ações tomadas pelo alcaide da cidade”. José Geraldo afirma que o companheiro Artur exerceu a função de vereador na sua verdadeira essência, representando condignamente quem o elegeu e a todos os habitantes de Siderópolis.[16]
                     Grande amigo e companheiro emedebista, Lúcio Ubialli, destaca a importância de Artur Kestering para o MDB nos primeiros anos de sua criação, sempre disposto a manter o partido, inclusive colocando dinheiro do próprio bolso, para manter viva a oposição contra os mandatários citadinos, adeptos do regime militar, com um único propósito que era a volta do Estado Democrático de Direito para o Brasil.[17]
                       Gladys lembra, com grande saudade, do seu querido pai: “Sua vida foi marcada por três paixões: a família, o trabalho e a política. Na família como provedor do sustento sempre buscou dar o melhor para todos nós, filhos, e foi sempre um exemplo de pai, rígido nas suas determinações, mas muito amável e com um coração que era imenso. Educou 9 filhos e deixou de herança o exemplo de seu caráter e sua honestidade. No trabalho posso falar de seu último emprego na Carbonífera Treviso, em que sempre desempenhou sua função com dedicação e profissionalismo. Era muito respeitado por seus superiores, mesmo sem formação acadêmica, e sua palavra muitas vezes prevalecia dentre as tomadas de decisões, quando se tratava da  “MARION”, a qual se dedicava 24 horas por dia. Dedicado aos que eram seus companheiros de trabalho, sempre buscou também ver o lado social da família de seus amigos de jornada, pois em suas conversas em casa sempre ouvia meu pai dizer:  fulano talvez não seja muito produtivo no trabalho, mas ele tem uma família para criar. Na política fez muitos amigos que guardam até hoje lembranças de sua trajetória como vereador e membro atuante do PMDB, e sempre dizia a nós filhos que tinha adversários políticos e não inimigos. Meu pai era um homem de princípios, sempre lutou pelas causas sociais em benefício dos habitantes do município de Siderópolis”.[18]
                     Artur Kestering, vitimado por um acidente automobilístico, veio a óbito em 14 de julho de 1984, na Estrada Geral - Bairro Rio Fiorita - Siderópolis[19] (hoje Avenida Porfírio Feltrin), e pelos serviços prestados à comunidade teve seu nome perpetuado na rua onde morava, num reconhecimento das forças políticas organizadas da cidade.

Nilso Dassi – Licenciado e Bacharel em História pela Unesc e membro da Academia de Letras e Artes de Siderópolis – ALASI, onde ocupa a cadeira nº 2.
Primavera de 2013.





[1]Lazzaris, Enemésio A., Dom. Família Lazzaris Pascai: tributo a um imigrante. Siderópolis, SC. 2010, p. 103.
[2]DASSI, Nilso. Nova Belluno, 1891 – Siderópolis, 1943. Siderópolis, SC. 2011, p. 128.
[3]Depoimento de José Carlos Webster, em 1º mai. 2013. Siderópolis, SC.
[4]Depoimento de Paulo Antônio Webster, em 28 abr. 2013. Siderópolis, SC.
[5]DASSI, 2011, p. 133 – 134.
[6] Depoimento de Paulo Antônio Webster, em 28 abr. 2013. Siderópolis, SC.
[7]Livro de Atas nº 03 – Arquivo da Câmara Municipal de Siderópolis. Siderópolis, SC. p. 64v e 65.
6025_.pdf‎ >. Acesso em 10 mai. 2013.
[9] Pode-se constatar em todos os municípios vizinhos que os primeiros prefeitos eleitos e já falecidos tiveram prontamente homenagens conferidas pelos poderes constituídos das cidades. A exceção, lamentavelmente, acontece em Siderópolis, pela omissão dos mandatários atuais que relutam em prestar uma homenagem, mais que merecida, ao primeiro prefeito eleito pelo voto popular. Manoel Minelvina Garcia merece uma ou mais homenagens dos sideropolitanos.
[10] Depoimento de Brás João Elias, em 8 set. 2012. Criciúma, SC.
[11] Em depoimento de Irani Dias, em 1º set. 2013, que foi atleta do Grêmio Esportivo Treviso durante a presidência de Artur Kestering, e qualifica como muito brilhante o período de comando do dirigente esportivo.
[12] Carteira de Trabalho do Menor de Artur Kestering. Arquivo particular da família Artur Kestering. Siderópolis, SC.
[13] Forças Vivas da Nação. Estado de Santa Catarina. Nossos Políticos. 1980, p. 391.
[14] Carteira Profissional de Artur Kestering. Arquivo particular da família Artur Kestering. Siderópolis, SC.
[15] Depoimento de Mário Piacentini, em 3 jul. 2013. Morador da localidade de Santa Cruz - Treviso, SC.
[16] Depoimento de José Geraldo Cardoso de Bitencourt, em 4 jul. 2013. Criciúma, SC. Zé Geraldo, como era conhecido, foi funcionário da CSN e importante músico da Banda American Night em Siderópolis, SC.
[17] Depoimento de Lúcio Ubialli, em 20 agos. 2013. Criciúma, SC. Lúcio Ubialli foi prefeito do município de Siderópolis no período de 1º jan. 1993 a 31 dez. 1996.
[18] Depoimento de Gladys Lenuzia Kestering, em 28 jun. 2013. Criciúma, SC.
[19] Escrivania de Paz de Siderópolis. Registro Civil das Pessoas Naturais. Certidão de óbito de 15 jun. 2013. Siderópolis, SC.

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