quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Um "causo" no Rio Fiorita

MENGÃO NA PANELA

Não sei se você já ouviu falar, mas a noite de “Sexta- feira Santa”, da Quaresma, é o "dia de roubar galinha", como costume em muitas comunidades do nosso interior sul catarinense. E a grande façanha para muitos “ladrões”, nestas ocasiões, era convidar o proprietário das galinhas e os amigos para o jantar das penosas. Havia também o capturador das penosas que convidava os companheiros de vizinhança para o “banquete” meio sacrílego.
Isto acontecia em Rio Fiorita, Siderópolis, conforme relato do meu amigo César da Silva Pereira, o Gilete. Tal apelido se deve, somente, à magreza do amigo César, um verdadeiro faquir, e também um dos maiores goleiros de futsal que Siderópolis já conheceu.
Em suma, fomos convidado para um jantar em uma dessas datas reverenciadas pelos católicos, com cardápio exclusivo à base de duas galinhas roubadas na Sexta-feira Santa pelos amigos e irmãos Lilico e Leleco, nas bandas da Rua 8.
O horário para o jantar foi marcado para 20 horas, e inicialmente regado com uma boa pinga e ainda cerveja. A fome era grande e a demora no cozimento das penosas começou a preocupar os convidados.
E lá pelas duas horas da manhã as galinhas ainda não estavam no ponto.
Com muitas e muitas insistências dos convivas esfomeados, os “ladrões anfitriões” Lilico e Leleco serviram as ditas galinhas ensopadas, que estranhamente apresentavam uma dureza impressionante, e mesmo assim as penosas foram atacadas de forma heroica e apressadamente jantadas pelos convidados.
Depois de um determinado tempo, alguns dos convivas perguntaram a razão do não cozimento da galinha já que o tempo de fogo foi além do normal...
Lilico e Leleco, dois malandros de primeira, disseram que haviam capturado dois urubus e que estas não tão “apreciadas aves” era o prato preparado e acabado de ser devorado pelos amigos, e ainda um tanto mal cozidas...
Foi uma correria pelos matos da Rua 7 e abaixo do campinho Sobe-e-Desce, nas imediações, a maioria vomitando urubu sem molho. Lilico e Leleco? Ficaram rindo adoidados e nem se lembraram os “convivas” ludibriados de lhes darem um corretivo.
O roubo seguinte, na outra Semana Santa, Lilico e Leleco devem ter comido sozinhos, pois os convidados não apareceram, pela fama do “BANQUETE” anterior...

Autores: Nilso Dassi e Ronaldo David.

Primavera de 2013.

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